quinta-feira, 16 de março de 2023

Consumismo Afetivo

Desde ontem que estou queimando muito a minha mufa, divagando horrores sobre o tal do amor próprio. 

Mas antes de chegar nessa parte, quero começar pensando aqui sobre o amor em si. 

Eu acho que o mundo anda meio quebrado nesse quesito, sabe? Porque se normaliza o desamor o tempo todo, na nossa cara e nem notamos. Quantas vezes não ouvimos frases péssimas como: "eu só brigo porque eu gosto"; "eu te bati porque te amo"; "ele te xingou porque na verdade gosta de você"? Onde tem amor em "brigar", "bater", "xingar"? O amor não envolve nada disso; ele é o que ele faz! 

Associamos o amor ao oposto do que ele é, nisso, quando estamos em situações que definitivamente não são amorosas, acreditamos que se trata de uma forma de expressar esse sentimento. E quando pegamos esse conceito totalmente cagado de amor e colocamos em prática nos nossos relacionamentos, aí é que tudo desanda mais ainda. Se a gente for ver, a maioria das relações familiares é tóxica e invasiva. Às vezes, o maior atalho para o autoconhecimento e a autoestima, é justamente se afastar da nossa família. Porque as expectativas, as regras, as condições, os acordos que surgem nessas relações geralmente sufocam qualquer um que venha de um lar saudável. Quem vem de família desajustada não pode nem pestanejar: a cura da alma mora nesse afastamento. E é libertador quando você o faz! 

Os relacionamentos afetivos começam sem amor de verdade desde o início, na conquista. Vivemos em uma sociedade capitalista (nunca podemos esquecer disso) com um cardápio enorme de possibilidades amorosas, são muitos os matches que podemos dar por aí. E isso gera uma sensação de que sempre tem algo novo a ser descoberto, que nada é bom o suficiente. Então, cogitar um relacionamento em tempos de "amores líquidos"*, já é um desafio por si só. Quando começa a pintar um clima mais legal, o casal começa a fingir que não gosta. Afinal, não pode mostrar muito interesse, senão o outro não vai ter o que conquistar. Como se a gente se resumisse apenas a instintos de caça e desafios; como se não existissem expectativas para o futuro, sentimentos, a tal da química... 

O ponto aqui é que essas ligações iniciais se tornam cada vez mais frágeis e delicadas, já que não existe fagulha de amor o suficiente para segurar qualquer coisinha maior que possa surgir, porque, na prática, o tempo todo somos bombardeados com matches nesse consumismo afetivo. Já nos relacionamentos oficializados, as pessoas tendem a jogar para o outro a responsabilidade de preencher essas lacunas que a falta de amor deixa. E, vai, é difícil conversar e explicar o que queremos, quando nem a gente sabe o que é bom pra gente. Isso quando as pessoas conversam, porque com o celular, as pessoas quase não fazem mais isso. O que eu acho mais engraçado é que as coisas eram pra ser mais fáceis, já que hoje temos esse aparelhinho nas nossas mãos, o tempo todo, possibilitando encontros, conversas. Mas da mesma forma que é fácil se conectar com alguém, também é fácil se desconectar. E, pra piorar, é tanto tempo na frente de telas, que parece que as pessoas estão perdendo a capacidade de se comunicar com o coração, sabe?

Olhando para tudo isso, fico pensando que é importante demais se conhecer na essência antes de se relacionar com outras pessoas. Precisamos entender o que somos, as coisas que gostamos, como que nos acalmamos, o que faz nossa espinha arrepiar, quando que nossa barriga fica cheia de borboletas e o que a gente escuta que deixa nossas bochechas mais quentinhas. Isso é ir se percebendo. Depois vamos descobrindo as coisas pequenas que nos ferem, os vazios que sentimos, os momentos que nos calamos quando deveríamos ter falado. Começamos a nos impor e a nos respeitar mais; deixamos de permitir os abusos e passamos a deixar claro quando eles acontecem. Devagarinho, vamos nos tornando mais gentis com esse euzinho interno, passamos a ter uma relação mais respeitosa com a gente mesmo, vamos nos tornando mais leves, e é aí que a vida fica melhor, mais simples. 

Se conhecer é lindo demais, é respeitar seus sentimentos, é honrar a sua caminhada, a sua vivência. É se olhar com gentileza e afeto e perceber que você é cheio de qualidades. É não sentir o prazer egóico do "super eu" dizendo que o "eu mesmo" é ruim, feio, errado, esquisito. É ser livre pra ser o que é, e isso é visceral, é salutar! Nesse momento, começamos a aprender - quase que instantaneamente - os momentos de dizer "não", que antes era tão difícil de detectar. Claro, agora você se conhece e se respeita e não vai ser qualquer um que vai tirar casquinha de você! E isso acontece bem de mansinho, você tá vivendo de boa e um dia fala um "não" que nem você sabia que deveria ter falado, mas percebeu que realmente não gostava quando colocavam o garfo no seu prato e que isso não é egoísmo, mas sim respeito pelo seu espaço. Entende? Acontece naturalmente. E quanto mais você vai se conhecendo, se respeitando, mais você percebe que é merecedora de amor, de respeito, de cuidado, de carinho... e você mesma começa a se tratar dessa forma, antes de mais ninguém, você entende como que gosta de ser tratada e vai sendo essa pessoa contigo mesma. É estranho, eu sei! Mas na prática, devagarinho, tá sendo assim, mesmo! 

E você vai levando esse respeito para as suas relações, vai dizer os seus limites para as pessoas que te sufocam, não vai permitir que aquela tia rebaixe o seu nome na sua presença, não vai você mesma tacar o seu nome na lama quando for conhecer uma pessoa, não vai aceitar que invadam o seu espaço e por aí vai. Se conhecer e se amar, realmente se admirar e curtir muito a sua própria companhia, faz você entender o que você ama, o que você não abre mão em você. E aí você vai lapidando como pode ser um relacionamento saudável para os seus padrões, para a sua verdade, quais os seus limites, o que você não pode abrir mão, como você gosta de ser tratada. Você para de aceitar desamor mascarado de carinho, de forma de se expressar... não fica mais justificando "é o jeito dele", ou "era sono", você olha e pensa "foi desrespeitoso e eu não mereço ser tratada assim. Afinal, eu só tratei essa pessoa com carinho." 

Chegar nesse lugar é poderoso demais, ao mesmo tempo que é verdadeiro demais. É no momento que eu me acolho, me escuto, me dou voz, me respeito e me admiro, que eu me amo de verdade, na minha verdade. É um processo longo e árduo, mas que vale muito a pena a caminhada. Eu ainda estou nessa longa estrada do amor próprio, mas acredito que estou conseguindo cortar os matos no meu caminho para encontrar o amor em mim mesma. 

E obvio que agradeço muito aos meus guias, que sempre me aconselham e me ensinam tanto. Eles fazem meu caminhar ser mais leve e amoroso! 

Um dia eu chego lá! 

 



Nota: Sei que repeti muitas vezes a palavra "amor" no texto, e eu até pensei em ir cortando na revisão. Mas não quis, eu acho que a busca pelo amor deve ser cheia de "amor", mesmo!




* Aqui eu tô phyna e cito Bauman, inclusive, indico o livro "Amor Líquido" dele.

terça-feira, 14 de março de 2023

Chutando a Porta do Armário

Terça, 14 de março de 2023 - Rio de Janeiro 

E não é que voltei aqui no dia seguinte? 

Quem sabe isso aqui não está realmente se tornando um diário, no sentido pleno da palavra? É muito cedo para afirmar, mas já fico feliz com o movimento. 

Ando pensando muito nessa coisa de amor-próprio e nesse momento acredito que ele anda bem relacionado ao conceito de primeiramente se aceitar de verdade, na essência. Se amar com suas qualidades e defeitos, apesar de tudo que a vida fez contigo. É aprender a se olhar nas minúcias e se entender; se contemplar. Compreender que tudo que você se tornou, é fruto de anos de caminhada, tropeços, recomeços, mais tropeços, algumas capotadas, um monte de sorrisos, lágrimas, mágoas, arrependimentos, amores... É muita bagagem que carregamos. Muita coisa para assimilar, digerir e aprender a lidar. E nossa, quando a gente se permite se conhecer dessa forma, é realmente um exercício muito profundo, muito difícil em alguns momentos, mas bem bonito. É lindo ir se conhecendo devagarinho. 

Na teoria parece alguma coisa bem simples e trivial, afinal, é só prestar atenção em você mesmo e, bem, a gente fica na própria companhia o tempo todo. Se essa coisa de autoconhecimento fosse fácil, não tinha tanto livro de autoajuda por aí e eu não tava aqui escrevendo esse texto tentando me conhecer e me amar um pouco mais, né? E nem tenho a pretensão aqui de achar alguma resposta lapidada em pedra, sabe? Provavelmente a Regina de amanhã vai ler isso e falar "ih, olha como eu pensava, que bobinha!". E eu acho isso fascinante, pois todo dia estou disposta a aprender e a crescer, afinal, sei lá quantas chances eu vou ter para evoluir, né? Não sei o dia de amanhã, então hoje é mais ou menos por aí. É nisso que acredito. 

Eu ando enxergando esse processo quase como uma saída de armário, visto como um grande "assumir o que sou, como sou, no que acredito, quais os meus valores de verdade" e um grande "foda-se" em relação a todas as castrações que já recebi ao longo dos anos. É muito difícil pra mim me aceitar um pouquinho como eu sou e isso faz com que eu venda uma imagem totalmente distorcida de mim mesma. E é engraçado que eu não minto em momento algum, eu apenas destaco detalhes non gratos e omito tudo o que eu tenho de mais bonito, que mora dentro de mim. Afinal, eu já parto do princípio de que serei rejeitada, já que me vejo como uma pessoa deslocada, errada, torta, incorreta, chata, que incomoda... Como vão me descartar mesmo, eu prefiro que eles descartem essa Regina que eu permito que seja vista. Que já se vê como um lixo, que não se ama. Assim, dói menos, o lixo fica mais acomodado na minha cabeça. E é importante frisar aqui que essa minha versão piorada é como eu realmente me enxergo, não é uma roupa que eu visto de vez em quando. Faz mais sentido acreditar nessa versão, que em qualquer outra, pois é ela que condiz com a lógica, pois é a forma que eu sempre fui tratada. Isso é para mensurar minimamente o tamanho do meu buraco, que foi construído desde criança.  

E é aí que vem, olha como é na infância que a gente se quebra inteiro! Porque eu não nasci assim. Pelo contrário! Quando criança, era muito divertida, espontânea, palhaça, espoleta, criativa, esotérica (muito!), cheia de fé, que acreditava que era sortuda e ganhava tudo que era sorteio, que acreditava que era uma artista e realmente era - afinal arte é algo que vem de dentro. Eu me expressava de mil formas: montando meu próprio palco e atuando, criando os meus programinhas de TV, cantando, dançando, escrevendo tudo o que eu sentia e imaginava, desenhando, pintando... e eu cagava baldes para a opinião dos outros, porque ali eu estava apenas sendo eu mesma, comigo mesma, em família, com meus amigos.

Mas a vida foi acontecendo e comecei a ouvir críticas pesadas em relação a tudo que eu era, que meus comportamentos eram histriônicos, que menina não pode ser tão agitada, que tem que sentar assim, que tem que falar assado, que não era tão inteligente, que o que eu acreditava não existia, que não era bonita, que era medíocre em tudo, que não devia ter nascido, que tudo tava torto, errado, sujo, feio... E fui me escondendo para algumas situações, poucas. Até que um dia aprendi a me esconder de mim mesma até quando sozinha. E eu sabia que estava fazendo isso, e fiquei feliz de ter conseguido me enterrar tão bem, pensando "pronto, agora ninguém mais vai conseguir me ver. Nem eu". E agora lascou: estou tocando a campainha dos meus 35 anos e não faço a mais puta ideia de quem eu sou, tenho procurado, tenho boas pistas, mas não sei "me colocar em prática", "me assumir"... não sei sair do armário! 

E esse movimento de escrever o que eu sinto funciona um pouco pra mim como uma saída de armário sutil. Ao escrever, tenho um ambiente seguro comigo e os meus sentimentos. Devagarinho, vou dissecando uma emoção, vou juntando os pensamentos vagos que passam pela minha cabeça em vários momentos e vou organizando tudo em um texto. Por que, não sei como são as outras cabeças, mas a minha tem um treco engraçado: quando estou digerindo algum assunto, não paro e penso por horas inteiras sobre ele. Em geral, vou pensando o tempo todo, um pouquinho por vez. Aí vou pensando sobre aleatoriedades, quando uma coisa me leva a outra e vou entendendo um treco que aconteceu, e como se manifestou em mim. Daqui a pouco dou uma divagada sobre alguma coisa nada a ver, faço umas coisas práticas e, em seguida, vou concluindo que algo se manifestou de tal forma para que eu aprendesse tal coisa... e assim vai. Quando eu percebo, passa um, dois, três dias e eu fui entendendo cada dia mais alguma situação, até que eu finalizo o processo de digestão, me limpo e sigo adiante. E é aquilo, organizar todos esses pensamentos e ler depois o que eu aprendi com o processo é realmente algo muito terapêutico, além de ser uma forma muito sincera e honesta de me expressar e, de certa forma, me mostrar. E aqui, eu tô nua e crua demais da conta. Uma suruba expõe muito menos!

Sair do armário, em qualquer ato que seja, é uma expressão de amor-próprio muito poderosa. É se assumir na essência, nas qualidades e nos defeitos; é conseguir enxergar o que se tem de bom e mostrar sem medo de crítica, de julgamentos. É erguer a cabeça e agir daquele jeito destrambelhado que todo mundo sempre falou que é errado e se sentir confortável nesse lugar, por que é o seu jeito de ser. Entendo que existem situações específicas que precisamos de maturidade e certos decoros que as convenções sociais nos impõem, mas elas devem ser raras. A gente não pode ficar se podando para caber dentro de uma sala, quando na real a gente é uma árvore. O problema é a sala que não me cabe porque eu sou grande, mas eu sou uma árvore, o que eles querem? Que eu caiba numa porra de uma sala? Não faz sentido algum, sabe? É contra a natureza da árvore! Vai ficar linda castrada numa sala, segundo o arquiteto, mas ela tá ali, podada, sem graça, chocha, no meio da sala, apenas sendo linda, agradando todo mundo, mas deixando de ser o que ela é de verdade: uma árvore grandona! (E sim, é específico e tenho uma árvore na sala. Sou uma castradora de árvores, aparentemente, e só me toquei disso agora. Tóxica!)

Acredito que o grande lance realmente seja esse “se assumir”, que é um puta grito de liberdade. Quanto mais a gente se castra, se prende no armário, finge que não sente, que não machuca, tolera, aceita pra agradar e cuidamos do outro, mas não nos cuidamos; mais a gente se perde de nós mesmos. E no início até toleramos bem esse distanciamento, vamos convivendo com essa casca achando que tá tudo certo. Mas chega um ponto que o coração da gente, de tão vazio, não consegue mais lidar. Começamos a tentar entender o que tá errado, o motivo de não sentirmos mais que estamos vivos. Pelo menos era assim que eu me sentia, podia estar fazendo alguma coisa que eu queria demais, que não sentia prazer algum naquilo. É uma sensação de vazio que derruba qualquer um. 

E foi assim que comecei a buscar o tal do amor, de tanto procurar nos outros, ouvi que nunca vou achar. Já que preciso encontrar em mim, foi em mim que o amor se apagou. Aliás, foi POR MIM que o amor se apagou. E é a máxima, né? Se a gente não se ama, como vamos aceitar que somos merecedores de qualquer forma de amor? É nesse momento que aceitamos qualquer mesquinharia de afeto, qualquer comunicação passivo-agressiva com um carinho depois já conquista a gente. E pelo amor de Deus, que péssimo se dar conta disso, né? 

Então eu sigo aqui, neste momento, tentando sair do armário, tentando me amar como eu sou, tentando regar a minha árvore, colocando ela num jardim bem bonito e deixando crescer. Vai ter gente que vai falar que ela é muito grande, desajustada, desengonçada. Mas também vai ter quem admire os galhos, as folhas, as flores e pode achar que faz uma sombra gostosa. terão passarinhos que podem fazer ninho. Vai ter artista que vai se inspirar e pintar um quadro, sei lá... Só sei que não tem como agradar a todos, mas tem como agradar muita gente, sabe? O importante é aceitar que no final das contas, pelo menos pra mim, preciso ser uma árvore grande e lindona, já que essa é a minha natureza! 

E vamo que vamo, bora chutar essa porta!

segunda-feira, 13 de março de 2023

Ventando Por Aí...

Segunda, 13 de março de 2023 - Rio de Janeiro 

Hoje começo aqui um breve diário.

Não sei ao certo se vou me comprometer a fazer isso de forma literal e realmente diária. Mas sinto muita falta de escrever e expressar meus sentimentos dessa forma. 

Hoje estou vivendo um dos momentos mais bonitos (e complexos) da minha vida; o desenvolver da minha espiritualidade e da minha mediunidade não vem sendo a tarefa mais simples do mundo: são vários sentimentos juntos, misturados com um excesso de emoções que às vezes eu custo a conseguir decifrar, pois elas chegam sem avisar, sem contexto, quase sem educação. Arrombam a porta e vão chegando e eu que lute depois para lidar com a baguça que fica. 

Mas o grande lance é que essa arrumação acaba me ensinando muita coisa. De uns tempos pra cá, tenho aprendido muito na minha solitude, estar sozinha tem me mostrado coisas que nunca nem de longe parei para pensar. E é engraçado que antes eu precisava conversar com alguém para entender algumas coisas que passavam na minha cabeça; e hoje ainda preciso e faço isso. Mas venho conversando cada dia mais com as vozes da minha cabeça, com os meus guias. E eu sei que pode parecer coisa de maluco, mas realmente são conversas muito construtivas que andam me ensinando muito. E eles são muito sábios, chego em conclusões que tenho certeza que não saíram da minha mufa, tamanha a evolução e o desprendimento de alguns melindres que a "vida real" nos obriga a ter. E olha que ainda nem estamos com a conexão alinhada e firmada no 100%, sabe? Porque a minha cabeça e a falta de confiança em mim ainda me atrapalham demais, nossa, mas atrapalham muito. Tem hora que eu mesma duvido da minha mediunidade, se eu não tivesse testado pra ver se sou esquizofrênica, tenho certeza que estaria achando isso agora! 

No momento, ando tentando aprender a me amar mais, já que vim percebendo que pra mim é muito mais fácil amar os outros, que me amar. Mas também, como eu vou conseguir me amar se nunca recebi amor de verdade? Aquele amor do "te bato porque eu te amo" não é real. O amor é o que o amor faz e, definitivamente, o amor não bate, não humilha, não xinga, não abandona, não violenta... O amor é outra coisa. Também fica difícil acreditar que sou merecedora de amor, quando cresci ouvindo que eu não era boa o bastante, que eu era um monstro, que eu não era digna... Enfim, as pessoas fazem com as crianças coisas absurdas, que se fossem com adultos seriam crimes contra a humanidade e o escambau, mas com crianças é válido, é plausível. Não faz sentido, mas falta de amor é pra não fazer sentido, mesmo. E nessa equação aí, também não estou me vitimizando, apenas entendendo a origem da minha falta de amor próprio. Meus pais também não tiveram amor de verdade para eles e, por isso, não o tiveram para me passar. A real é que a gente não aprende o que é o amor, a gente tem é que ir descobrindo ao longo da vida, mesmo. E algumas pessoas tem uns atalhos no caminho, já outras não dão tanta sorte. Eu dei uns azares, mas já tô aqui no caminho certo para aprender e, quem sabe, não consigo ensinar para os meus pais e, se tudo der certo e eu receber essa benção, meus filhos (no plural, ou no singular, só quero ser mãe, mesmo rs)?

Por conta da minha falta de acesso ao amor genuíno, aceito qualquer esmolinha de afeto, qualquer beijinho caloroso já tá me acolhendo um pouco, porque cada dia sinto mais falta de encontrar algum tipo de amor em alguma esquina. E não me refiro apenas a relacionamentos afetivos, mas sim a amor de forma genuína, amor puro e simples. A gente conta nos dedos os momentos honestos de trocas amorosas que temos no nosso dia-a-dia e acaba que, devagarinho, parece que nossa alma vai adoecendo. 

Se tocar disso faz com que a gente fique mais exigente na busca pelo amor, numa palavra torta, a gente já pensa "opa, isso não é amor. É um afeto de leve, no máximo. Mas isso pode me machucar se eu ficar por aqui". E isso é péssimo, porque antes as relações mais vazias e ocas que preenchiam meus vazios e minhas necessidades químicas, fisiológicas e de afeto, não me satisfazem mais. Pelo contrário, antes eu separava muito bem as coisas, hoje, além de não preencherem, ainda me deixam mais vazia depois. E esse vazio faz com que eu me sinta cada vez mais desconectada com esse tal amor próprio que eu ando tentando encontrar. 

E falando em procurar o amor, estou completamente apaixonada, mas com os quatro pneus arriados de verdade. E já saquei, inclusive que o que eu sinto é bem mais que paixão, porque vai além da coisa da química; a admiração já existe, já vi posturas e valores que encaixam com os meus, existe um carisma, um "axé", uma energia na pessoa que, apesar da casca, é linda demais de se ver. E apesar de ver tudo isso e dizer serena que o que eu juntei de informações já dá para considerar que é amor, nesse modelo de amores e relações líquidas, não me aprofundei o suficiente na intimidade com a pessoa para minimamente conferir se todas essas ilusões que a gente cria na paixão são factíveis com a realidade. Eu tenho um "olho" bom para escanear energias e vejo coisas realmente lindas por dentro dessa casca de espinhos, mas enquanto não vejo tudo isso que meu "olho vê" concretizado, pode ser só uma ilusão de olho apaixonado. E olho apaixonado é foda! Ou seja, será que é amor? E mais que isso, será que a pessoa minimamente se interessa por mim? Porque tem isso também, né? Hoje em dia a gente não sabe mais ao certo se as pessoas gostam, ou não, da gente, já que uns infelizes começaram a vender por aí que é, sei lá, conceitual ser blasè pro amor; é bacana demonstrar desinteresse, ninguém mais pode fazer um cafuné sem ser julgado de emocionado. Olha, é cansativo se relacionar em 2023! 

E aí fica aquela coisa: ele gosta de mim e não demonstra; ou ele não gosta e tá agindo normalmente, como alguém que não tem interesse, mesmo? Viver com essa agonia dá umas sensações de abandono diárias, que mesmo que você não queira, sempre existirão enquanto você não senta a raba e conversa com o objeto de adoração, vulgo o ser humano que você tá apaixonada. E, venhamos e convenhamos, estar nesse estado de paixão é uma delícia e é uma merda!

Agora entra o dilema que todo amor líquido em algum momento precisa passar: e aí? Vai conversar e abrir o jogo, ou vai pular fora sem dizer tchau? Vai pagar de emocionada e possivelmente se humilhar se declarando (porque declarações de afeto são consideradas verdadeiras humilhações públicas, enquanto decretar que odeia alguém é socialmente aceitável de boa), ou vai embora sem saber minimanete o que a pessoa sente? E, olha, se eu pudesse escolher, eu nem toparia estar sentindo isso. Já demoro tanto pra me apaixonar, que realmente fui pega distraída. Sabe quando você acha que a pessoa é uma coisa, aí fica tranquila achando que não corre riscos, e quando vê o gato é incrível, interessante, apaixonante e tem um tempero bom de energia de amor (mesmo com uma casca que parece que vem de machucados na alma)? E o pior: até a casca eu entendo, porque já a usei muito no passado, era com ela que eu me fazia de durona paras pessoas me machucarem um pouco menos; até porque não permitia que elas se aproximassem, que nem um porco-espinho. Enfim, mas foi aí que o moço bonito chegou e bagunçou todo o meu esquema. Justo agora que estou em um momento tão complexo que é o desenvolver da minha mediunidade e que tem um fervilhão de sentimentos aqui dentro. São tantas emoções, na boa, que péssimo timing... 

Eu realmente ando achando que nesse dilema, vou acabar saindo à francesa, até porque, não posso correr o risco de me envolver e, por conta das minhas prioridades no momento, acabar machucando alguém, sem querer. Porque sei que não vou poder me doar como um novo relacionamento geralmente exige. Mas, olha, é com tristeza que vou fazer isso. E é aquilo, também, essa é a minha cabeça de hoje, como eu bem sei, amanhã bate um vento e resolvo falar, ou (quem sabe?) a paixão passa... sei lá, minha cabeça venta demais, vamos vendo até onde esses ventos me levam. 

Venta, ventania! 

E por último, e não menos importante: hoje faz 6 meses que estou limpa de remédios psiquiátricos. Estou me sentindo tão bem em estar comigo mesma, sem um bando de remédios interferindo no meu humor e no meu estado de espírito. É bom demais não estar em transe ou dopada, avaliar as coisas com a minha cabeça e o meu coração. Em um outro momento, posso discorrer mais sobre isso, mas hoje é só gratidão!

Bom demais estar limpa, grata demais por isso! <3 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

It's evolution, baby!

Eu acredito que toda regra tem uma exceção.
Por isso não me apego a nenhum fanatismo religioso ou filosófico.

Os dias passam, as ruas mudam, pessoas entram e saem da nossa vida, a cabeça da gente evolui, enfim, a vida dá voltas. Não podemos nos dar o luxo de ficarmos presos o tempo todo na mesma filosofia.

Mudança ideológica não é falta de personalidade, mas reflexo de evolução.
É aquele lance de "ser uma metarmofose ambulante": "ter aquela velha opinião formada sobre tudo" é muito fácil, muito pequeno, muito pouco! Na vida temos que quebrar a cara, arriscar... viver, sabe?

Tem pessoas que passam a vida inteira fazendo suas escolhas em função de uma filosofia de vida e acabam perdendo momentos que poderiam ser perfeitos e pessoas maravilhoas. Ou não, mas como elas vão saber se não viveram?

Na minha humilde opinião, isso é uma covardia tão grande, que chego a ter vontade de sacudir essas pessoas e mostrar que existem mil possibilidades que fazem a vida ser mais colorida e mais apimentada!

Tá, eu sei. Não posso fazer isso. Cada um com o seu momento e a sua evolução. Juro que tento respeitar isso... Mas a vida é muita curta para vivermos o mesmo personagem o tempo todo.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Pessoas Descartáveis

Essa sociedade capitalista é tensa.
Tudo tem etiqueta, você pode ter o que quiser: aquele sapato lindo, aquela blusinha verde, aquela bolsa preta, uma bunda perfeita, os peitos mais bonitos do mundo... Todos os valores estão perdidos. Tudo é comprável e descartável, principalmente as pessoas.
Sim, principalmente as pessoas. Essa cultura do descartável é absurda. Você conhece uma pessoa, sai com ela, tudo está muito bom, ela te fala coisas lindas que você quer ouvir, o mundo é um mar de rosas e a vida é bela. Até que passa uma bunda maior (ou duas, três, quatro...) e você começa a ser menos interessante, menos engraçada... até que vira um ser inconveniente, sem graça, irritante e é jogada fora.

Sim, descartada como um copinho de plástico de festa de aniversário de criança, que rasgou e só serve para melar a mão de refrigerante. Precisa ser logo substituído.

Não entendo isso, vou passar a vida sem entender e sei que nunca vai mudar. As pessoas vivem e vendem mentiras o tempo todo. Umas porque não sabem ser sinceras, outras realmente acreditam naquela mentira por um tempo e, a grande maioria, simplesmente porque não têm colhão de chegar e falar "aproveita enquanto eu estou aqui. Vai durar pouco".

Esse mundo onde ninguém é insubstituível, único e importante é muito vazio. Me incomoda muito conhecer uma pessoa e não saber se sou parte de um joguinho de conquista barato, ou se realmente estou vivendo algo verdadeiro. Chega a ser patético: as pessoas não têm mais tempo de realmente conhecer aquela que está beijando. Olha, que absurdo! Elas têm as mesmas histórias, os mesmos discursos, as mesmas cantadas e os mesmos pretextos. Tudo é padronizado. Até os perfumes!
Juro que quero acreditar que ainda existem pessoas de verdade, lindas na essência, sinceras e dispostas a ter um bem durável. Como os carros antigos, que eram feitos para durar a vida toda. Os de hoje são só lata.

Os homens têm um ego estranho que eu custo a entender, sabe? Funciona como um balão que nunca vai estourar, e pode ser inflado ad infinutum. Isso contribui muito para que as coisas sejam assim. Claro que a conquista é muito boa, mas viver de conquistas soa tão vazio. No final, estão sempre sozinhos, apesar de acompanhados. Claro que os homens não são os grandes vilões dessa história. Mulheres também descartam e fazem as mesmas coisas. Mas a grande diferença é que, no fundo, elas querem um relacionamento. Pensam nisso desde o primeiro "oi". Vejo isso quando converso com minhas amigas: elas pagam de duronas, mas já estão analisando se o DNA do cara é bom para ter filhos lindos. Juram de pés juntos que não querem nada sério, mas estão cheias de esperança em subir no altar. Só descartam um, quando aparece outro com maior potencial. É uma confusão. Uma palhaçada! Acaba que vira um grande círculo de mentiras e, no final, sempre tem alguém que sai machucado. Não tem jeito.

Uma coisa que pega muito mal nessa de termos que conviver com a idéia de que podemos ser descartados, é que pessoas machucadas e cheias de calos como eu, passam a ter uma "casca de proteção". No meu caso, estou mais para um porco-espinho. Custo a confiar nas pessoas e, enquanto isso não acontece, sou fria, seca  e racionalizo tudo o que posso vir a sentir. Com o tempo, passo a confiar e tiro minha casca. Mas, geralmente, quando me sinto pronta para isso, a pessoa já enjoou e está indo embora. Me descartando. E perdendo o que de melhor tenho para oferecer. Uma pena.

Ando numa fase de introspecção, precisando me encontrar e, a última coisa que preciso é de alguém para interferir no meu momento de reencontro comigo mesma. Mas, em contrapartida, também sonho em encontrar uma pessoa que me faça bem e que eu possa fazer o mesmo por ela. Não estou procurando, nem penso em rótulos, não gosto deles (conforme já deixei claro aqui: http://regininhaboynard.blogspot.com.br/2010/06/keep-walking.html). Acredito muito no amor e sou muito otimista. Não digo que quero achar uma pessoa para casar ou qualquer coisa do gênero, até porque, não sonho em casar e blá blá blá. Sonho, sim, em ser feliz e encontrar um amor único e insubstituível para dividir todos os meus sucessos e perrengues. Se ele vai durar anos e anos, não sei. Mas tem que ser de verdade!

É isso. Precisava verbalizar porque essas pessoas que descartam andam me incomodando muito.
Sou verborrágica, mas sou autêntica e sincera com os outros e, principalmente, comigo mesma.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tanta Saudade...

A vida é muito estranha. Um dia as coisas estão bem e do nada elas mudam. As ruas mudam, as pessoas mudam e algumas vozes somem... Outras chegam, mas o silêncio daquela voz em especial faz muita falta. Mas não temos escolha: vamos levando a nova vida. Cada boa notícia, é uma alegria imensa e uma esperança de que as coisas vão melhorar, mas aí bate aquela vontade de dividir os sorrisos com quem mais amamos, só que não posso mais. Seguro o choro e vou em frente, cabeça erguida. Sou forte, não sou?
 

Não, fraca demais. Tem alguns dias que a saudade chega com tudo e me engole. Nesses dias, a única coisa que consigo sentir é um vazio imenso e um aperto no peito, é uma dor tão profunda que chega a ser física. E a falta daquele colo e daquelas palavras que me conheciam tão bem fazem eu me sentir sozinha num mundo abarrotado de pessoas. Isso assusta muito...

Eu entendo a morte, aceito que as pessoas precisam ir embora para evoluir. Isso aqui é uma escola e somos só carcaça. Mas o que eu faço com essa saudade tão grande? Isso eu não entendo... E ainda me falaram que o tempo cura essa dor. Cura nada, já tem sete meses e parece que foi ontem. Tinha que ter um telefone especial para falarmos com quem amamos e não está mais aqui... Mas não dá. Só podemos sentir mais e mais saudade. Já me falaram que o tempo cura, mas cada novo passo que dou, me lembro dela... Tem dia que até sinto o seu perfume.  

Os dias passam e o nosso maior erro é achar que tudo é pra sempre, mas o meu amor é. Ele vai comigo por todos os dias da minha vida até que um dia vou reencontrar com a minha avó. Espero um dia poder ser uma mulher tão boa e tão forte como ela foi. Espero conseguir ser a mãe que ela foi para mim e amar uma pessoa como ela me amou. Porque, por mais que eu a ame muito, o meu amor não chega aos pés do amor dela. Aquele era incondicional de verdade. Papai do céu me presenteou com duas mães na vida, sou muito grata por isso.

Enfim, sei que ainda tenho muita coisa pra viver e, por ela, eu estou buscando forças pra seguir em frente. Hoje me sinto como uma andorinha voando sozinha tentando fazer verão. Será que eu consigo?

É isso... A vida segue, mas a saudade, o amor e os momentos bons vão ficar pra sempre no meu coração! 
 

Hoje lembrei dela cantarolando para mim, brincando e rindo, uma música do Roberto Carlos que eu adoro. Mal sabia eu que essa músiquinha e aquele momento simples iam mexer tanto comigo. Me arrependo de não ter filmado...
 

Não adianta nem tentar
Me esquecer
Durante muito tempo
Em sua vida
Eu vou viver
Detalhes tão pequenos
De nós dois
São coisas muito grandes
Prá esquecer
E a toda hora vão
Estar presentes
Você vai ver

Vózinha, te amo pra sempre!

domingo, 5 de maio de 2013

Esse negócio de estar apaixonado

Esse negócio de estar apaixonado é muito engraçado, ou talvez a melhor palavra seja esquisito.
Isso! Esse negócio de estar apaixonado é muito esquisito.

Quando estamos neste estado acabamos misturando um milhão de emoções e sentimentos, começamos a aceitar e até a gostar de coisas que antes repudiávamos e, ainda, pensamos no ser amado o dia inteiro até a hora de dormir - esta, por sinal, é a pior hora do dia, pois pensamos na pessoa e imaginamos mil momentos lindos que poderíamos viver com ela.

É quase patológico: nosso primeiro pensamento é a pessoa, tomamos banho, escovamos os dentes, almoçamos, trabalhamos... enfim, vivemos pensando na criatura o dia todo. Sem ela, tudo perde a cor, perde a graça, fica xôxo, sem tempero! É que nem comida sem sal. Aaargh!

Torcemos para o destino ser bonzinho e, em cada esquina, pedimos para a pessoa estar lá. Só queremos dar um oizinho, ou não, talvez só queremos poder admirar essa tão bela criatura aos nossos olhos! 
Aí, no final do dia, bate uma tristezinha lá dentro porque não vimos, ouvimos, abraçamos ou rimos com a pessoa amada. Dá uma sensação de vazio enorme, nada preenche. É péssimo!
Cada dia sem ela, é um dia perdido, sem graça, que sobrevivemos e não vivemos.
Um drama só!

Esses dias eu ouvi - ou li, não lembro - que nada é melhor para a saúde que um amor retribuído. Faz sentido, porque essa agonia, essa solidão, essa tristeza vai minguando as nossas energias de um jeito que parece que vamos estourar de ansiedade mais cedo ou mais tarde! 

Mas, apesar de toda essa tortura, essa coisa de estar apaixonado também nos faz sentir vivos. Cada vez que falamos com a pessoa que amamos, sentimos aquela taquicardia gostosa, aquele frio na barriga, aquela sensação louca de que o coração vai pular pela boca... É muito bom! Acredito que vivemos nesses momentos deliciosos, que duram pouco, mas nunca esquecemos.

É muito ruim e muito boa essa coisa de estar apaixonado. É uma sensação única. Admito que sinto pena de quem nunca sentiu isso. Sinto mais pena ainda dessas pessoas que dizem que preferem morrer a sentir isso - umas até se matam.
Gente, como assim? Alô-ou! Ninguém é obrigado a amar ninguém, ou pior, ninguém é obrigado a viver a vida carregando a culpa de um descontrolado ter se matado porque não teve o seu amor retribuído.

Amor, retribuído ou não, sempre faz bem. É assim que tem que ser.
Temos que aproveitar esse sentimento tão puro e verdadeiro ao máximo. Esse sentimento tem que nos impulsionar a sermos melhores a cada dia, não pela pessoa amada, mas por nós mesmos. Tem coisa melhor que saber que temos a capacidade de sentir algo tão bonito?
Essa é a graça da vida. Sem isso, tudo é blasé!

A vida é simples assim. A gente é que complica.

A nós, os apaixonados, só cabe ir levando. Até que um dia, a pessoa amada vem ficar com a gente - é o que mais sonhamos! - ou outra pessoa especial aparece em nossas vidas para nos encher de alegria!

De qualquer forma, eu continuo dizendo que esse negócio de estar apaixonado é muito esquisito!